Estado emocional: como ele pode influenciar nossa saúde

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O estudo da relação entre corpo e mente não é algo novo, tendo registros da época das antigas civilizações do Egito, Mesopotâmia, Índia e China. Porém, foi na Grécia, a partir do século V a.C, com os Filósofos Pré-Socráticos, que esta relação entre estado emocional e físico começou a ser estudada mais a fundo. Estes já buscavam na mente uma explicação para as enfermidades que acometiam os homens e, a partir de então, várias hipóteses foram surgindo e dando origem a diversas teorias. Esta cultura teve grande influência sobre a Medicina e a Psicanálise que conhecemos hoje, uma vez que nesta época Filosofia e Medicina estavam muito ligadas, principalmente, pelo fato de alguns grandes Filósofos serem também Médicos. Foi a partir desta civilização que surgiram as observações mais concretas sobre a estrutura e funcionamento do corpo como um sistema, sobre a mente e a relação existente entre os dois. Apesar da importância de diversos Filósofos Gregos desta época, devemos dar destaque a um em especial: o Médico Alcmeon, de Crotona, o qual foi o primeiro a apontar que as sensações do corpo estavam ligadas ao cérebro. Alguns dizem que ele fez esta descoberta por meio de dissecação. Porém, não há evidências de que a descoberta tenha se dado, de fato, desta maneira. Alcmeon foi, também, o primeiro a afirmar que o fato que diferenciava os homens dos animais é que os primeiros eram dotados da capacidade de compreensão, enquanto os outros, apenas da percepção. Por fim, também foi ele quem propôs que a saúde depende de um equilíbrio de alguns fatores internos e que, quando estes estão em desequilíbrio dentro do organismo, surgem as enfermidades.

Hipocrates

Apesar de toda sua contribuição para a Medicina e de outros Filósofos darem continuidade a suas teorias, foi com Hipócrates, tido como o “pai da Medicina”, que as ideias e Alcmeon ganharam maior proporção e notoriedade. Nos textos de Hipócrates, que reunidos ficaram conhecidos como “Corpus Hippocraticum”, é notório que este acreditava que as emoções estavam ligadas a mente e que esta ficava localizada no cérebro, como poderá ser visto no trecho a seguir: “Deveria ser sabido que ele [o cérebro]é a fonte do nosso prazer, alegria, riso e diversão, assim como nosso pesar, dor, ansiedade e lágrimas, e nenhum outro que não o cérebro. É especificamente o órgão que nos habilita a pensar, ver e ouvir, a distinguir o feio do belo, o mau do bom, o prazer do desprazer. É o cérebro também que é a sede da loucura e do delírio, dos medos e sustos que nos tomam, muitas vezes à noite, mas ás vezes também de dia; é onde jaz a causa da insônia e do sonambulismo, dos pensamentos que não ocorrerão, deveres esquecidos e excentricidades”.

Ainda em seus textos, Hipócrates mostrou diversas vezes sua visão das partes do corpo interligadas, com uma unidade de coesão, a qual chamava de alma, e que, por isso, o correto seria analisá-lo como um todo e não cada parte isoladamente. Ele considerava ainda, que o corpo era passível de desorganização, e que era esta desorganização que gerava as doenças. Visto isto, era necessário analisar todo o histórico de um paciente, respeitando suas particularidades. Em muitos trechos de seus textos podemos comparar sua visão com a visão da Psicologia moderna sobre as causas das doenças tidas como psicossomáticas.

Após toda a contribuição da Grécia Antiga, há muito tempo Psicólogos e Psicanalistas já estudam a relação entre o estado emocional das pessoas com as doenças e o poder que nosso cérebro exerce sobre a saúde de nosso corpo. O termo “doenças psicossomáticas” surgiu para designar as doenças que podem ser diagnosticadas clinicamente, uma vez que provocam alterações no corpo do paciente, mas que tem origem psicológica. Porém, ainda há divergência entre os estudiosos, quanto ao fato de toda doença ter fundos psicológicos ou só algumas doenças específicas: enquanto algumas correntes defendem que toda doença humana é psicossomática, uma vez que corpo e mente são inseparáveis, tanto anatômica, quanto funcionalmente; outras dizem que esta teoria é exagerada, uma vez que nosso corpo funciona de forma independente, ou seja, nós não precisamos ficar pensando no funcionamento de nossos órgãos vitais, para que eles continuem funcionando, por exemplo.

Ao lado dos que creem que toda doença tem um fundo emocional, a Professora-adjunta FCM/UERJ, Stella R. Taquette, propõe que, para oferecer qualquer tratamento eficaz a um paciente, é necessário compreender o que se passa com ele não só no campo físico, mas também emocional.

Apesar das divergências, em um ponto os especialistas concordam: mesmo os que defendem que nem toda doença tem fundo emocional acreditam que acumular emoções negativas causa stress, o que abala o sistema imunológico e, consequentemente, deixa o organismo humano debilitado, se tornando mais propenso a adquirir doenças.

Uma vez que já é comprovada a capacidade que nossa mente tem de deixar nosso sistema imunológico debilitado a ponto de desenvolver doenças, por que não aplicar esta capacidade na cura das mesmas?

(Texto publicado originalmente em http://minhainformacao.com.br/relacao-corpo-x-mente-e-as-doencas-psicossomaticas/)

Aline Mendes

Formada em Marketing, Pós-graduada em Produção Cultural e Instrutora de Yoga. Carioca com orgulho, flamenguista por opção, vegetariana por amor e chocólatra porque tenho uma mente gorda! Amante da natureza e viciada em viajar e conhecer outras culturas! Acredito que os bons são maioria, não acredito em horóscopo (mas leio todos os dias!), choro com comercial de margarina, falo pouco (juro!) e gosto de escrever sobre (quase) tudo!

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