Entenda a diferença entre alergia e intolerância alimentar

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Muito se tem falado sobre alergia e intolerância alimentar ultimamente, mas ainda há muita desinformação sobre o assunto. Primeiro, porque se criou um terrorismo alimentar em torno do tema, com a grande mídia, blogs e até profissionais sugerindo a retirada do glúten e da lactose da alimentação, por considerarem que essas substâncias sejam prejudiciais à saúde e ao emagrecimento. Além disso, as pessoas confundem alergia e intolerância alimentar, que são duas reações que diferem entre si.

Para esclarecer melhor esse assunto, conversamos com a nutricionista Janaína de Oliveira, que além de conviver com uma alergia alimentar, vem estudando o tema há algum tempo. Confira abaixo a entrevista:

Qual é a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

A alergia alimentar é basicamente quando o sistema imunológico do indivíduo, seja adulto ou criança, não reconhece a proteína do alimento e produz uma resposta imunológica contra essa proteína. Um exemplo: é como se o organismo estivesse combatendo algum vírus ou bactéria, desenvolvendo uma reação (sintomas) que pode ser leve ou não.

Já a intolerância é quando o indivíduo não consegue metabolizar o alimento, seja ele por deficiência ou falta de enzimas. Muitas pessoas confundem ou acham que o termo alergia e intolerância alimentar são referentes à mesma coisa, mas são bem diferentes. Um dos exemplos mais comuns que eu posso citar é sobre a intolerância à lactose que está sendo tão falada ultimamente.  Para quem não sabe, a lactose é o açúcar natural presente no leite, quando o organismo tem uma deficiência por falta ou baixa produção de enzimas (lactase) que digerem essa lactose. Assim, a mesma chega ao intestino grosso sem ter sido degradada, e ali ocorre a fermentação por bactérias do intestino, provocando muito desconforto com cólicas e diarreias no indivíduo.

Quais são as alergias e intolerâncias alimentares mais conhecidas?

Qualquer alimento pode desencadear uma alergia, porém os mais frequentes são: ovos, leite de vaca, crustáceos, soja, trigo e nozes.

Alguns sintomas são bem visíveis, podendo ser notados logo após o consumo do alimento ou horas depois. Os mais frequentes são: vermelhidão na pele, olhos e bocas inchados, coceira pelo corpo, dor abdominal e vômitos.

Os ovos, as nozes, o leite e os crustáceos são mais associados a sintomas graves, como a reação anafilática (uma reação sistêmica podendo ser fatal), mas também podem provocar sintomas mais leves.

Além disso, qualquer alimento, seja ele de origem vegetal, animal ou industrializado, pode causar a intolerância alimentar. Como eu havia dito anteriormente e dei o exemplo do leite, o indivíduo não tem a enzima específica para metabolizar o alimento, com isso podem surgir os sintomas típicos de uma intolerância alimentar: diarreia, cólica e gases. Mas diferente da alergia, na intolerância alimentar os sintomas são mais leves.

intolerância e alergia alimentar

Como é feito geralmente o diagnóstico da alergia e/ou intolerância?

O diagnóstico da alergia alimentar requer identificação do alimento suspeito e prova de que o alimento causa uma reação no indivíduo. Alguns testes imunológicos podem ter utilidade para a triagem de pacientes e como ferramenta diagnóstica. O mais comum é o teste cutâneo ou sanguíneo. A retirada do alimento deve ser orientado por um profissional da área, para que não cause nenhum tipo de deficiência nutricional.

O diagnóstico da intolerância alimentar é feito geralmente a partir de um histórico clínico do paciente, que contenha a frequência alimentar, exame físico e testes bioquímicos e imunológicos.

Hoje se fala muito em cortar o glúten e a lactose, por exemplo, para emagrecer, mesmo quando a pessoa não possui o diagnóstico confirmado de intolerância ou alergia. Há alguma confirmação de que o glúten e a lactose façam mal às pessoas que não são alérgicas ou intolerantes? Retirá-los da dieta pode ajudar a emagrecer?

Acredito que hoje em dia tudo tem uma grande influência da mídia. Há pouco tempo atrás, ninguém sabia o que era lactose, muito menos glúten. Se o indivíduo não é intolerante à lactose, não possui a doença celíaca e nem tem o costume de exagerar, a ingestão do glúten e da lactose não causará nenhum tipo de desconforto. Então, até certo ponto, não há porque tirá-los da alimentação. Quando eu citei a mídia, é porque com os avanços nos estudos dessas doenças e com vários alimentos sendo produzidos para pessoas com restrições, muitas pessoas se veem na necessidade de consumir esses produtos especiais, achando que isso irá trazer algum benefício e poderá ajudar no emagrecimento. Mas é preciso entender que a indústria tem um poder muito forte sobre os alimentos, e de nada adianta consumir “ULTRAPROCESSADOS” (zero lactose, zero glúten, zero carboidrato, etc…), achando que está fazendo o certo, quando na verdade, a pessoa está se entupindo de “porcarias” como as gorduras saturadas, corantes artificiais, xaropes açucarados, emulsificantes, e por aí vai…

A minha recomendação para todos os leitores é: tenha o hábito de sempre ler os rótulos e conferir os ingredientes dos produtos. Quanto menos ingredientes, mais saúde para você. Mas não tire nenhum alimento da sua alimentação sem antes consultar um nutricionista, pois isso pode causar deficiências nutricionais e o surgimento de doenças. Pratique a boa e velha reeducação alimentar, pois emagrecer pode ser fácil e rápido, mas emagrecer com saúde é muito melhor que tudo isso.

O indivíduo com intolerância ou alergia já nasce com o problema ou pode adquiri-lo ao longo da vida? Há alguns fatores que podem colaborar para que a alergia ou intolerância seja desenvolvida?

O risco da pessoa nascer com alergia alimentar depende da hereditariedade, mas muitas crianças, logo que nascem, estão sendo expostas a alguns alimentos antes do tempo. O organismo de uma criança não tem o mesmo desenvolvimento que o organismo de um adulto, e é claro que a sua alimentação não deveria ser igual. Com isso, a alergia pode se desenvolver  muito cedo e, à medida que a idade vai aumentando, aumenta também a dificuldade de ficar curado. Posso citar o meu exemplo, desde criança tenho alergia alimentar a crustáceos, minha alimentação na época nunca foi totalmente regular para a minha idade e não tive o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, ou seja, tive exposição a alimentos muito cedo e já tive sérios problemas com isso. Hoje tenho 22 anos e não sei o que é sentir o gosto de um camarão, e acredito que levarei isso para o resto da vida. Mas você aprende a se adaptar!

Na intolerância é a mesma coisa, você pode desenvolver esse problema na sua infância ou até na fase adulta.

Priscila Ramires

Jornalista pós-graduada em Comunicação Empresarial e Gestão Estratégica de Marketing Digital, tradutora e adepta de uma vida saudável, depois de muitos anos de junk food. Já experimentou diversas atividades físicas, como ballet, yoga, corrida, natação, pilates, muay thai, etc. Hoje pratica musculação e treinamento funcional. Adora viagens, leituras, cinema, tecnologia e, principalmente, estar em movimento.

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